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Gravar entrevista de emprego: quais regras RGPD?

  • Um candidato não é seu empregado nem cliente, e esse desequilíbrio guia como pedir seu consentimento.
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Consentimento, tempo de armazenamento, acesso à avaliação: o que RGPD e CNIL exigem antes de gravar uma entrevista.

Você grava suas entrevistas para obter um relatório e uma avaliação? É possível, mas um candidato não é seu empregado nem cliente: ele se candidata, e uma recusa pode ser custosa para ele.

Esse desequilíbrio orienta como pedir seu consentimento e por quanto tempo manter seus dados.

É permitido gravar uma entrevista de emprego?

Sim, mas com regras para o tratamento.

Uma entrevista gravada contém o histórico, motivações e situação do candidato, às vezes informações não previstas para revelar. Isso configura um tratamento de dados pessoais conforme o RGPD.

Você deve:

  • pedir o consentimento antes da gravação;
  • informar o tempo de armazenamento;
  • definir a base legal;
  • esclarecer a finalidade da gravação;
  • restringir o acesso à avaliação;
  • garantir os direitos do candidato.

Gravar sem consentimento viola o Código Penal, que pune com até um ano de prisão e multa de 45.000 euros quem, por qualquer meio, viola a privacidade alheia captando ou transmitindo falas privadas sem autorização (artigo 226-1).

Uma entrevista gravada é dado pessoal?

Sim, e de forma detalhada.

RGPD define dado pessoal como "qualquer informação relacionada a pessoa física identificada ou identificável" (artigo 4, ponto 1).

A entrevista trata de pessoa nomeada, seu percurso e competências.

Transcrição, relatório e avaliação também são dados pessoais.

Por que o recrutamento exige mais cuidados?

Porque o candidato está solicitando algo.

Ele não negocia as condições e pode sentir que recusar a gravação o prejudica, mesmo que não seja verdade. O quadro geral está na página gravar reunião profissional.

Você realiza vários tratamentos sucessivos:

gravar → transcrever → elaborar relatório → produzir avaliação → enviar ao comitê.

Quais dados são gravados?

Dependendo da ferramenta, pode-se guardar:

  • áudio da entrevista;
  • transcrição;
  • nomes dos participantes;
  • data da entrevista;
  • relatório;
  • pontos fortes e a melhorar;
  • avaliação.

A avaliação é uma opinião sobre a pessoa e merece cuidado igual.


É preciso avisar o candidato antes de gravar?

Sim.

A informação deve ocorrer antes ou no momento da coleta dos dados. O RGPD exige que seja fornecida "quando os dados são obtidos" (artigo 13, parágrafo 1).

Na entrevista, informar não basta: é preciso pedir consentimento.

Quando avisar?

Antes de iniciar a gravação.

Na prática, pode-se informar na convocação e perguntar no início.

A convocação prepara; só a pergunta oral permite recusa.

O que dizer?

A CNIL exige informar sobre o dispositivo, responsável pelo tratamento e finalidades.

Explique claramente:

quem grava → por quê → quem verá o relatório → tempo de armazenamento.

É preciso informar o tempo de armazenamento?

Sim, é exigência específica do recrutamento.

CNIL diz que o arquivo pode ser guardado 2 anos após último contato, ou mais se houver consentimento formal, desde que informado.

É preciso dizer que IA faz o relatório?

Sim.

Gravação e processamento pela IA são operações distintas.

Regulamento europeu de IA exige que sistemas interativos informem usuários que estão lidando com IA (artigo 50, parágrafo 1), obrigação desde 2 ago 2026.

No recrutamento, isso é ainda mais importante: o candidato deve saber que uma síntese automática apoia a decisão.

Pode-se dizer:

"A entrevista é gravada e um assistente IA elabora automaticamente o relatório."

E se um segundo avaliador entrar?

Informe-o na chegada, como fez com o candidato.


Qual base legal usar para gravar?

Consentimento do candidato é a base mais adequada.

Interesse legítimo é frágil aqui, pois o candidato não pertence à organização.

Por que consentimento?

Porque não há relação de trabalho.

Consentimento é "manifestação livre, específica, informada e inequívoca" (RGPD, artigo 4, ponto 11).

"Livre" é difícil: candidato teme prejudicar-se e pode não recusar. A forma da pergunta é crucial.

Como provar consentimento?

Responsável deve demonstrar que consentimento foi dado (RGPD, artigo 7, parágrafo 1).

Consentimento registrado com data e hora no início é prova.

Pode o candidato retirar consentimento?

Sim.

RGPD permite retirar tão facilmente quanto dar (artigo 7, parágrafo 3).

Pode recusar gravação e ser excluído?

Não.

Recusa não afeta candidatura; tratar assim tornaria consentimento não livre.


Por quanto tempo guardar gravação?

Só pelo tempo necessário à finalidade.

RGPD exige dados conservados "por tempo não superior ao necessário" (artigo 5, parágrafo 1, e).

Quanto tempo guardar o arquivo?

2 anos após último contato. CNIL confirma esse prazo, ou mais com consentimento formal.

Ponto inicial é último contato, não data da entrevista.

Guardar áudio o mesmo tempo que avaliação?

Não é obrigatório.

Após revisão e avaliação, áudio pode perder utilidade.

CNIL recomenda até 6 meses para gravações de trabalho, até 1 ano para análises.

E entrevistas de candidatos não selecionados?

Mesma regra do arquivo.

Política eficaz:

entrevista → relatório → decisão → apagar áudio → expirar arquivo.


Quem acessa o relatório?

Só quem decide.

Recrutador, gestor e comitê. Não toda equipe nem futuros colegas.

Quem pode ver áudio, transcrição e avaliação?

Cada arquivo tem uso distinto.

Pode-se:

  • compartilhar avaliação com comitê;
  • limitar acesso à transcrição;
  • guardar áudio só se justificado.

Dados devem ser criptografados?

Segurança deve ser proporcional ao risco.

RGPD exige "medidas técnicas e organizacionais adequadas, incluindo pseudonimização e criptografia" (artigo 32, parágrafo 1).


Quais direitos do candidato?

Candidato tem direitos do RGPD.

Pode pedir acesso aos dados?

Sim.

Tem direito a confirmação se dados pessoais são ou não tratados (artigo 15, parágrafo 1). Inclui áudio, transcrição, relatório e avaliação.

Pode pedir correção?

Sim.

Direito a correção rápida de dados incorretos (artigo 16).

Importante com transcrição automática, que pode errar nomes, diplomas, datas, respostas técnicas ou quem falou.

Pode pedir exclusão?

Sim, conforme RGPD.

Direito a apagar dados pessoais rapidamente (artigo 17, parágrafo 1).

CNIL recomenda informar esse direito na entrevista.

Pode se opor à gravação?

Sim, recusando antes ou durante.

Pode se opor a tratamento baseado em interesse legítimo (artigo 21, parágrafo 1).

Nesse caso, gravação é interrompida e anotação manual feita.

Prazo para resposta?

Normalmente, um mês.

Responsável responde "sem demora e no máximo em um mês" (artigo 12, parágrafo 3).


Obrigações quando IA faz anotações?

IA adiciona tratamento além da gravação.

Fluxo:

áudio → transcrição → análise → relatório → avaliação.

O que IA faz?

Pode:

  • transcrever;
  • identificar participantes;
  • destacar pontos fortes;
  • apontar pontos a melhorar;
  • produzir relatório;
  • preencher avaliação.

Decisão pode basear-se na síntese?

Síntese é suporte, não decisão.

Deve ser revisada antes de enviar aos decisores.

Onde dados são armazenados?

Pergunte ao fornecedor.

Leexi guarda dados na região de Paris, AWS; para volume grande, pode usar Scaleway.

Quem trata dados?

Fornecedor é subcontratado conforme RGPD.

Software de recrutamento é segundo subcontratado. O dossiê de conformidade Leexi detalha.

Leexi usa modelo OpenAI via Azure França, circuito fechado.

Precisa DPA com fornecedor?

Sim, se fornecedor é subcontratado.

Artigo 28 exige contrato definindo tratamento, dados, obrigações.

IA usa entrevistas para treinar modelos?

Depende do fornecedor.

Leexi não usa conversas para treinar modelos em nenhuma conta.


Como pedir consentimento antes de gravar?

Use frase simples e clara.

No início da entrevista

"Antes de começar: gravo a entrevista e um assistente IA faz o relatório para que eu possa ouvir você em vez de anotar. O relatório é compartilhado com quem decide. Seus dados ficam 2 anos após nosso último contato e pode pedir exclusão a qualquer momento. Concorda?"

Para entrevista técnica

"Como outros candidatos, gravo para revisar suas respostas técnicas com a equipe. Se preferir anotações manuais, tudo bem e não afeta sua candidatura."

Para entrevista final

"A conversa é gravada e o relatório vai ao comitê. Pode pedir cópia do que lhe diz respeito. Está de acordo?"


Erros a evitar

1. Perguntar de modo que recusa seja difícil

"Você não se importa?" não dá escolha real.

2. Não informar tempo de armazenamento

CNIL exige isso para guardar arquivo, não é opcional.

3. Deixar avaliação circular amplamente

É opinião sobre pessoa, deve ficar restrita a decisores.

4. Usar modelo de relatório inadequado

Modelo errado traz seções irrelevantes e atribui ações erradas.

5. Guardar entrevistas de não selecionados sem limite

Dois anos após último contato, salvo consentimento para mais.

6. Não verificar presença do assistente

Assistente fora da reunião não produz relatório e entrevista se perde.


Como gravar com Leexi?

Com RGPD definido, siga passos:

1. Entrar na entrevista

Leexi pode entrar em videoconferência pelo calendário. Para presencial, grava pelo app e regras presenciais valem.

2. Ajustar relatório ao tipo

Formato pode ser para primeira conversa, técnica ou final.

3. Gerar avaliação

Avaliação inclui pontos fortes, a melhorar e alertas. Veja notas IA para recrutamento.

4. Coletar consentimento

Pode ser gravado e datado; configurações por equipe e país.

5. Controlar dados

Leexi informa hospedagem em Paris, opção Scaleway, execução via Azure França, criptografia e sem treino em conversas.


Dificuldades reais dos usuários

Questões legais não são únicas dificuldades.

Em 1.141 tickets de suporte entre jan e jun 2026, 4 tratam de gravação de entrevistas. Motivos incluem modelo de relatório inadequado, informação ao candidato ausente no relatório e assistente excluído.

Nenhum pergunta se é permitido gravar.

Isso mostra que o problema é:

não só "posso gravar?"

Mas também:

qual modelo usar → o que consta na avaliação → quem recebe → tempo de armazenamento.


Resumo

Antes de gravar, verifique:

  • Consentimento: candidato disse sim sem custo?
  • Tempo informado: sabe quanto tempo dados ficam?
  • Base legal: consentimento é base?
  • Armazenamento: áudio é apagado após avaliação?
  • Acesso: quem recebe avaliação?
  • Subcontratados: sabe quem trata dados, incluindo software?

Se IA atua, acrescente:

candidato sabe que IA processa gravação para relatório?

Perguntas frequentes

É legal gravar entrevista?

Sim, com consentimento prévio e informação do tempo de armazenamento.

Quanto tempo guardar?

CNIL recomenda 2 anos após último contato, salvo consentimento para mais.

Pode pedir cópia do relatório?

Sim, direito de acesso RGPD cobre relatório e avaliação.

Pode recusar gravação?

Sim, sem prejuízo à candidatura.

Pode pedir exclusão?

Sim, conforme direito ao apagamento RGPD.

Síntese serve para decisão?

É suporte; deve ser revisada antes de decisão.

Pode comparar candidatos pelos relatórios?

Sim, se todos seguirem mesmo modelo.


Em resumo

Gravar entrevista é possível.

Mas não basta perguntar:

"Posso gravar?"

É preciso controlar toda cadeia até avaliação:

pedir consentimento → informar tempo → gravar → transcrever → avaliar → restringir acesso → apagar.

Essa cadeia deve estar na política de proteção de dados.

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Fontes

Textos consultados em 22 ago 2026.

  • RGPD artigos 4,5,6,7,12,13,15,16,17,21,28,32
  • Código Penal artigo 226-1
  • CNIL Recrutamento e arquivo
  • CNIL Gravação no trabalho
  • Regulamento IA europeu artigo 50

Esta página é informativa, não é parecer jurídico.

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